“Sou hoje, sempre e agora 
numa eterna alvorada.” 
Lêdo Ivo, Volta a Jaraguá

Associação Comercial de Maceió – Foto: Renner Boldrino
Jaraguá, palavra de origem tupi, yar-á-guá, e que significa “enseada das canoas”. Considerado um porto natural, devido a sua situação geográfica, o Jaraguá já era chamado porto pelos seus habitantes originais, os índios Caetés. E a sua marca na cidade de Maceió é a de um bairro dedicado às atividades portuárias e voltado ao comércio desde o seu surgimento.
A história do bairro se entrelaça com a própria história de Maceió, que recebeu o status de capital de Alagoas em 1839 precisamente pela importância que a região foi adquirindo devido às atividades comerciais favorecidas pelo ancoradouro do Jaraguá, onde também existia um povoado de pescadores.
O primeiro governador de Alagoas, Sebastião de Melo e Póvoas, quem chegou à vila de Maceió pelo ancoradouro de Jaraguá, decidiu fixar residência ali, na casa da primeira Câmara da Vila, onde também instalou a Junta da Administração e Arrecadação da Real Fazenda.

Museu da Imagem e do Som de Alagoas – Foto: Renner Boldrino


Dalí eram exportados os produtos que vinham do interior da província: algodão, açúcar, fumo, cereais, farinha de mandioca, couro, madeiras… O que provocou uma aceleração, após 1820, na construção de casas residenciais, comerciais e trapiches. Não podemos omitir, assim mesmo, que isso se produz depois que os povos indígenas, originários da costa, foram dizimados de seus territórios.
Em 1868, foi inaugurado o ramal férreo entre o bairro do Jaraguá e o centro de Maceió. E, em 1870, o ancoradouro tomou forma de porto com a instauração da ponte de embarque. O ir e vir de navegantes, a compra e venda de mercadorias e a presença de comerciantes estrangeiros, principalmente portugueses e ingleses, contribuiu com o surgimento de casas e o florescimento do povoado como principal centro comercial da região.
Até o final do século XIX, o bairro do Jaraguá se converteu em uma paisagem de bonitos sobrados, os quais abrigavam tanto as residências como os negócios dos comerciantes, assim como bancos e companhias de navegação.
A forte atividade comercial e portuária atraiu também bares e cabarés e, pouco a pouco, as distintas famílias moradoras dos casarões se mudaram para outros bairros da cidade e o Jaraguá, além de centro comercial, se converteu em um ponto boêmio.

Arquivo Público Estadual – Foto: Renner Boldrino
Nas últimas décadas do século XX, o bairro perdeu o brilho dos seus anos boêmios e o protagonismo econômico, este último devido ao surgimento de novos centros comerciais. Sofreu com o descaso por parte dos poderes públicos e se transformou em um lugar de escritórios e bancos de funcionamento diurno. 
Apesar de ter passado por tentativas de revitalização e de ter parte do seu território tombado como Patrimônio do Estado de Alagoas, o Jaraguá continua lutando para receber a atenção e o cuidado que merece pela sua importância como lugar que deu origem à cidade de Maceió e que foi fundamental no seu processo de desenvolvimento.
Em 2019, o Jaraguá está cedendo os seus espaços à 9ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas e adquire centralidade neste evento. Com isso, pretendemos fortalecer o seu protagonismo cultural, reintegrando o bairro e seus significados para a população. Assim como promover uma reflexão sobre os nossos processos de formação histórica, autonomia e construção de identidade local e nacional.
  

ESPAÑOL

Jaraguá, palabra de origen tupí, yar-á-guá, y que significa "cala de las canoas". Considerado un puerto natural debido a su situación geográfica, el Jaraguá ya era llamado puerto por sus habitantes originarios, los indios Caetés. De hecho, su marca en la ciudad de Maceió es la de un barrio dedicado a las actividades portuarias y centrado en el comercio desde su surgimiento.

La historia del barrio se entrelaza con la historia misma de Maceió, que recibió el estatus de capital de Alagoas en 1839, precisamente por la importancia que la región fue adquiriendo debido a las actividades comerciales favorecidas por el embarcadero de Jaraguá, donde también había una aldea de pescadores.

El primer gobernador de Alagoas, Sebastião de Melo e Póvoas, que llegó a la villa de Maceió por el embarcadero de Jaraguá, decidió alojarse allí, en la casa del primer ayuntamiento del lugar, donde también estableció la Junta de Administración y Recaudación del Tesoro Real.

Desde allí se exportaban los productos del interior de la provincia: algodón, azúcar, tabaco, cereales, harina de yuca, cuero, madera… Esto condujo a que, después de 1820, se produjera una aceleración de la construcción de viviendas, comercios y almacenes. Sin embargo, no podemos obviar que esto ocurrió también tras la expulsión y exterminio de los pueblos indígenas originarios de la costa.

En 1868, fue inaugurada la línea férrea entre el barrio de Jaraguá y el centro de Maceió. Y en 1870, el embarcadero tomó forma de puerto con la instalación del puente de embarque. El ir y venir de la gente viajera, la compra y venta de bienes y la presencia de comerciantes del extranjero, sobre todo de Portugal e Inglaterra, contribuyó para el surgimiento de casas y al florecimiento de la ciudad como el principal centro comercial de la región.

Hasta finales del siglo XIX, el barrio del Jaraguá se convirtió en un paisaje de bellas casas, que albergaban tanto las viviendas y negocios de comerciantes, como bancos y compañías de navegación.

La fuerte actividad comercial y portuaria también atrajo bares y cabarés y, poco a poco, las distinguidas familias que vivían en las grandes casas se mudaron a otros barrios de la ciudad. Así, el Jaraguá, además de centro comercial, se convirtió en un punto bohemio.

En las últimas décadas del siglo XX, el barrio perdió el esplendor de sus años bohemios y su protagonismo económico, este último debido a la aparición de nuevos centros comerciales. Sufrió con la negligencia de las autoridades públicas y se convirtió en un lugar de bancos y oficinas diurnas.

Pese a que haya habido intentos de rehabilitación y que ha tenido parte de su territorio declarado Patrimonio del Estado de Alagoas, el Jaraguá aún lucha por recibir la atención y el cuidado que se merece por su importancia como lugar que dio origen a la ciudad de Maceió y que fue fundamental en su proceso de desarrollo.

En 2019, el Jaraguá está cediendo sus espacios a la 9ª Bienal Internacional del Libro de Alagoas y adquiere centralidad en este evento. Con eso, pretendemos fortalecer su protagonismo cultural, reintegrando el barrio y sus significados para la población. Bien como promover una reflexión sobre nuestros procesos de formación histórica, autonomía y construcción de la identidad local y nacional.


ENGLISH

Jaraguá, word of Tupi origin, yar-á-guá, which means “canoe cove”. Considered a natural port due to its geographical situation, Jaraguá was already called a port by its original inhabitants, the Caetés Indians. In fact, its mark in the city of Maceió is that of a neighborhood dedicated to port activities and focused on commerce since its emergence.

The history of the locality is intertwined with the history of Maceió itself, which received the status of capital of Alagoas in 1839 precisely because of the importance the region acquired due to the commercial activities favored by the Jaraguá anchorage, where there was also a fishing village.

The first governor of Alagoas, Sebastião de Melo e Póvoas, who arrived in the village of Maceió by the Jaraguá anchorage, decided to settle there, in the house of the first town council, where he also installed the Board of Administration and Collection of the Royal Treasury.

The products from the interior of the province were exported from there: cotton, sugar, tobacco, cereals, manioc flour, leather, wood… This led to an acceleration after 1820 in the construction of houses, shops and warehouses. We cannot ignore, however, that this occurred after the indigenous people from the coast were decimated from their territories.

In 1868, the railway line between Jaraguá and the center of Maceió was inaugurated. And in 1870, the anchorage became a port with the inauguration of the boarding bridge. The comings and goings of seafarers, the buying and selling of goods and the presence of foreign merchants, mainly Portuguese and English, contributed to the emergence of houses and the flourishing of the town as the main commercial center of the region.

Until the late nineteenth century, the district of Jaraguá became a landscape of beautiful houses, which both the homes and businesses of merchants were housed, as well as banks and shipping companies.
The strong commercial and port activity also attracted bars and cabarets to the district and, gradually, the distinguished families living there moved to other neighborhoods of the city and Jaraguá, besides being a commercial center, became a bohemian point.

In the last decades of the twentieth century, the neighborhood lost the splendor of its bohemian years and economic prominence, the latter due to the emergence of new shopping centers. It suffered with the negligence of public authorities and turned into a place of daytime offices and banks.

Despite having been attempted to revitalize and having part of its territory listed as a State of Alagoas Heritage, Jaraguá is still struggling to receive the attention and care it deserves for its importance as a place that gave birth to the city of Maceió and was instrumental in its development process.

Although there have been attempts to rehabilitate Jaraguá and that part of its territory has been declared a Heritage of the State of Alagoas, the neighborhood is still struggling to receive the attention and care it deserves for its importance as the place that gave rise to the city of Maceió and that was fundamental in its development process.

In 2019, Jaraguá is opening its spaces to the 9th Alagoas International Book Fair and acquires centrality in this event. With this we intend to strengthen its cultural importance, reintegrating the neighborhood and its meanings for the population, as well as to promote a reflection on our processes of historical formation, autonomy and construction of local and national identity.