A produção artística, cultural e científica afro-brasileira são destaque da parceria
Por: Márcio Cavalcante e Estevão dos Anjos | Fotos: Estevão dos Anjos

O cuidado com o fomento das expressões negras e quilombolas foi o assunto da reunião realizada nessa quinta-feira (22) entre a coordenadora-geral da 9ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, Elvira Barretto, e o representante regional da Fundação Cultural Palmares em Alagoas, Balbino Praxedes Júnior, ao lado da secretária do órgão, Dianini Lima. O encontro também buscou estabelecer parceria entre a instituição e a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), realizadora da Bienal alagoana.

Ao apresentar o projeto da Bienal, Elvira Barretto enfatizou os valores da 9ª edição, que preza pelo despertar da sociedade ao destacar pessoas autônomas e colaborativas entre si, vivendo e reproduzindo relações de liberdade, construindo conhecimentos embasados em aceitação das diferenças e geração das acessibilidades, promovendo a transversalidade das culturas em suas manifestações de literatura, arte e costumes existentes na sociedade.

Transversalidade cultural
Para Balbino Praxedes, participar da 9ª Bienal de Alagoas como instituição parceira é uma oportunidade de mostrar para a população alagoana a importância de valorizar, promover e propagar os saberes da cultura afro-brasileira, possibilitando vivências transversais de cultura e arte. Os espaços podem despertar nas pessoas o interesse pelas questões negras e quilombolas, com suas expressões culturais, artísticas, sociais e da produção de conhecimento nas diversas áreas da ciência. Praxedes enfatizou a satisfação em manter a parceria.

“Entendemos que a participação da Fundação Cultural Palmares na 9ª Bienal é crucial para Alagoas, que tem como patrimônio a Serra da Barriga, e para a valorização de todas as comunidades quilombolas que a Fundação Palmares representa. É importante a gente estar presente enquanto órgão que trabalha em prol da diversidade, da valorização da nossa identidade afro-brasileira”, ressaltou.


Difundindo a arte e os saberes afro-brasileiros
Animado com a parceria na Bienal, Praxedes revelou que dentre outras ações, a Fundação Palmares fará doação de livros do seu acervo de fomento à cultura afro-brasileira. “Enquanto órgão público, a Fundação Palmares se preocupa com a população afro-brasileira, que é uma população necessitada de oportunidades. Então, a doação faz com que as pessoas se aproximem do órgão e de suas histórias pessoais, sua identidade”, sugere.

A secretária Dianini Lima completou: “As doações são feitas no sentido de aproximar as pessoas dessa literatura negra, dando visibilidade ao povo e aos seus saberes e herança cultural. A Bienal é uma oportunidade, pois a gente sabe que a literatura negra, assim como o audiovisual, são espaços ainda pouco explorados na nossa sociedade. Então, a 9ª Bienal vai proporcionar isso: acesso, visibilidade, assim a gente doa livros para que as pessoas possam se conhecer. Quanto mais a gente doa, mais pessoas terão acesso, e é sempre uma preocupação da Fundação Palmares disseminar a cultura negra e incentivar o seu fomento”.

Fundação Palmares e seu legado de proteção da identidade negra e quilombola
Vinculada ao Ministério da Cidadania, a Fundação Cultural Palmares é uma instituição pública representativa da cultura negra, voltada para a promoção e a preservação dos valores culturais, históricos, sociais e econômicos decorrentes da influência afro na formação da sociedade brasileira. A promoção de políticas de inclusão e igualitárias integra o trabalho que a Fundação Palmares desenvolve desde o surgimento, há 31 anos.

Atualmente presidida por Vanderlei Lourenço, a fundação tem entre suas competências a emissão de certidão das comunidades quilombolas e sua inscrição em um cadastro geral, como é o caso de Muquém, em União dos Palmares, bem como a difusão de publicações que promovem, discutem e incentivam a preservação da cultura afro-brasileira. 

Respeito às identidades e promoção da igualdade
Além disso, a fundação é responsável por diversos projetos, sempre com o comprometimento de combater o racismo, promover a cidadania, a igualdade, o reconhecimento e o respeito às identidades culturais do povo brasileiro.
Dentre esses projetos está o Conhecendo a Nossa História: da África ao Brasil, dedicado a fomentar o cumprimento da lei tornou obrigatório nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, o estudo da História e da Cultura Africana e Afro-brasileira, e o Escola sem racismo: Afro-brasilidades na comunidade escolar, que, por meio de rodas de conversa, formações e oficinas, visa discutir e combater o racismo nas escolas.
Em Alagoas, estado que tem como referência histórica a Serra da Barriga, Patrimônio Cultural do Mercosul, a fundação tem sua gerência regional situada em Maceió, que desenvolve projetos como visita guiada ao Parque Memorial Quilombo do Palmares, em União dos Palmares, e o Vamos Subir a Serra, realizado com diversos parceiros, como o Sebrae, e que oferece à população palestras, atrações culturais e uma feira com produtos de quilombolas e afroempreendedores.
Para saber mais sobre a Fundação Palmares, acesse o site ou procure @fundacaopalmares nas redes sociais.