Falar de Bienal é lembrar imediatamente de literatura. E quando pensamos em literatura alagoana, sempre vem à mente alguns nomes que se destacam, seja no cenário nacional ou no local. Mesmo sabendo que fazer lista é cometer injustiças, vamos indicar hoje 5 escritoras e escritores de Alagoas que você precisa conhecer. Aproveita e comenta quem deixamos de fora e que também é leitura obrigatória.

Lêdo Ivo

                                                                Foto: Acervo ABL


Começamos com um clássico. Último literato alagoano a ocupar uma vaga na Academia Alagoana de Letras (hoje temos Cacá Diégues na cadeira 10), Lêdo Ivo é natural de Maceió, mas aos 18 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se formou em Direito e começou sua carreira literária.

Integrante da chamada Geração de 45, dedicou-se a diversos gêneros, se consolidando com uma robusta obra poética com mais de 20 obras,  cinco romances, entre eles “Ninho de Cobras”, relançado em 2015 numa edição caprichada pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos, do Governo do Estado; além de contos, ensaios e obras de literatura infantojuvenil.

Também foi tradutor, trazendo para o português obras de Jane Austen, Arthur Rimbaud e Fiódor Dostoiéviski, e foi traduzido para diversos idiomas, entre eles o inglês, o espanhol, o italiano, o dinamarquês e o holandês
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Em 2004, teve sua trajetória poética documentada no filme "A Imagem Penisular de Lêdo Ivo", dirigido por Werner Salles Bagetti e que pode ser conferido clicando aqui.

Em 2010, foi inaugurado o Memorial Lêdo Ivo, com materiais sobre a vida do escritor; no acervo, livros, fotografias, objetos pessoais, além de um raro material audiovisual, através do qual, o visitando pode ouvir o próprio poeta recitando seus textos. O espaço fica localizado no Museu Palácio Floriano Peixoto. As visitações são gratuitas e podem acontecer de terça a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 17 h.

No início de setembro, teve uma estátua sua fixada na praia de Jatiúca, próximo ao Posto 7.

 Lêdo Ivo faleceu em 2011, em Sevilha, na Espanha, aos 88 anos.

Jorge Cooper

                                                                            Foto: Reprodução


Filho de um inglês com uma brasileira, Jorge Cooper nasceu em Maceió, mais especificamente no Centro da cidade, em 1911. Foi bancário e funcionário público, vivendo também em São Luís, no Maranhão, e no Rio de Janeiro.

A produção dos seus livros acompanha sua estadia nessas cidades. Durante a vida, seus poemas foram reunidos em três antologias poéticas, até sua obra completa ser publicada pela Imprensa Oficial Graciliano em 2011, com organização do professor e poeta Fernando Fiúza, que jogou luz em uma produção até então pouco conhecida.

Dono de uma poesia sintética e de forte potência lírica, Jorge Cooper, nas palavras de Lêdo Ivo, foi um “poeta da dúvida e do desviver, do desapontamento e da pertinaz interrogação de si mesmo”.
Obcecado pelo tempo e pela imagem paterna, seus versos são uma busca constante pela eternidade, contendo uma grande carga de ironia e pouco malabarismos gramaticais, o que a torna precisa.

Em 2013, teve sua vida documentada no filme "Jorge Cooper: a cidade e o poeta", dirigido pelo jornalista Victor Guerra, e que pode ser assistido aqui.

Morreu em 1991, em Maceió, aos 79 anos. Seu corpo foi sepultado no cemitério do Trapiche da Barra.

Arriete Vilela

                                                                      Foto: Reprodução


Natural de Marechal Deodoro, Arriete Vilela é um dos principais nomes da literatura alagoana contemporânea. Autora de livros de poesia ("Teço-me", "O Ócio dos Anjos Ignorados" "Vadios Afetos", entre outros), romance ("Lãs ao vento"), contos ("Farpa", "Tardios Afetos", "Grande Baú, a Infância"),  de literatura infantil ("Alzirinha"), já foi agraciada com mais de 30 prêmios, entre nacionais e locais, com destaque para o concedido pela União Brasileira de Escritores/UBE/Rio.

O reconhecimento por sua obra não para por aí. Em 2002 foi homenageada com seu nome batizando a biblioteca setorial do curso de Letras da Ufal, e em 2013 criou-se o Concurso de Contos Arriete Vilela, iniciativa do Programa de Educação Tutorial (PET) do curso de Letras da Ufal.

Em 2007, o cantor e compositor Júnior Almeida musicou poemas de Arriete e apresentou no espetáculo "O avesso da asa do anjo".

Assim como os outros poetas desta lista, em 2012,  teve um trabalho seu adaptado para o cinema pela produtora PANAM Filmes, com direção de Henrique Oliveira. O curta foi baseado no livro de contos "Maria Flor etc." e pode ser conferido clicando aqui.

Neste ano, a escritora publicou "Olívia e suas três irmãs" e participou de uma mesa-redonda com o tema “A literatura como fonte expressiva da valorização humana” e “A importância da relação entre leitores e escritores locais como um caminho de fortalecimento cultural”. O evento aconteceu em Arapiraca e contou com a presença da poeta Marta Eugênia e do grupo Leia Mulheres Arapiraca.

Nilton Resende

                                                                           Foto: Josué Seixas


O escritor alagoano Nilton Resende é outro que já há um bom tempo vem chamando a atenção na literatura, seja por ser doutor na área, dedicando-se à obra da escritora Lygia Fagundes Telles, pesquisa esta que se tornou livro e foi publicado pela Edufal com o título de “A construção de Lygia Fagundes Telles”, seja por seu trabalho como autor e ator.

Integrante do grupo teatral Cia. Ganymedes, se destacou na cena alagoana ao encenar O mágico, peça baseada em uma obra do autor alemão Thomas Mann.

Com dois livros publicados, "O orvalho e os dias" (poesia) e "Diabolô" (contos), e um inédito ("Ouriço"), integra também o grupo de poetas, atores e músicos Amores Ébrios (Milton Rosendo, Brisa Paim, Igor Machado, Bruno Ribeiro), que realiza performances envolvendo poesia, teatro e música, fazendo, inclusive, uma apresentação na IV Bienal do Livro. O trabalho do grupo já rendeu uma publicação com os poemas e um disco.

No início deste ano, teve seu conto “A ceia”, presente no livro "Diabolô", traduzido para o inglês e publicado na revista inglesa Bookanista, um trabalho feito por Kim M. Hastings e que foi batizado de "The supper".

Recentemente, teve seu primeiro livro, "O orvalho e os dias", reeditado e lançado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos, do Governo do Estado.

Atualmente é professor de Literatura da Uneal, dá oficinas de escrita criativa em parceria com o Sesc Alagoas e trabalha com preparação e diretor de elenco para o cinema.

Ainda no cinema, dirigiu no começo do ano o curta-metragem "A barca", baseado no conto "Natal na barca", de Lygia Fagundes Telles.

Sara Albuquerque

                                                                          Foto: Felipe Brasil



As mais nova da lista, mas sua produção e currículo já são de quem está há anos produzindo literatura. E de fato o faz. Iniciou sua carreira como escritora publicando obras de literatura infantil ("O segredo do rio Mundaú", "O embrulho misterioso de Nina" e "Ei, você viu Luizinho?"), se destacando também como contadora de histórias em eventos literários.

Nascida em Maceió, Sara publicou seu primeiro livro de poesia em 2018. Intitulada "Sete centímetros de língua" e lançada pela editora Patuá, a obra trata de questões relacionadas ao papel da mulher na sociedade, com um olhar crítico e irônico sobre esteriótipos e problemas sociais e culturais, como violência contra a mulher, patriarcalismo e desigualdade entre os gêneros.

Também em 2018, a poetisa tem seu segundo livro de poemas publicado, "Giz morrendo", desta vez fruto do Edital Para Publicação de Obras Literárias lançado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos, do Governo do Estado.

Sara foi primeiro lugar em alguns concursos literários, entre eles o V Concurso de Poesia Jorge de Lima, organizado pela Secretaria de Cultura do Estado de Alagoas, ocorrido este ano, premiada com o poema "Abóbora". E terceiro lugar, na categoria Conto, do Prêmio Off-Flip de Literatura 2018, com o texto "Bartolomeia", na Festa Literária de Paraty (FLIP) 2018.

A escritora é mestra em Escrita Criativa na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e atualmente é servidora pública da Ufal.