Os livros têm temas variados e são de autores de diversas regiões do país

Patrícia Mendonça, estudante de jornalismo



 Praça Paraíso de Papel: sessões de autógrafos, lançamentos e troca de experiências



Cumprindo com o compromisso de incentivar e prestigiar a produção literária independente, a 9ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas apoia o lançamento de 82 obras de autores brasileiros. A programação acontecerá do dia 2 ao dia 10 de novembro, na “Praça de Autógrafos Paraísos de Papel”, que estará localizada no Espaço Armazém, no 'coração' da emblemática Rua Sá e Albuquerque, mesmo local da feira de livros. A Praça recebe esse nome em homenagem a obra homônima ilustre escritor alagoano Lêdo Ivo.

Na ocasião, escritoras e escritores de Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Bahia e do Distrito Federal devem realizar rodadas simultâneas de lançamentos das obras, bem como a exposição, venda de livros e sessão de autógrafos.

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A Praça de Autógrafos preza pela democracia, respeita a liberdade de expressão e a diversidade em suas mais variadas formas. Como exemplo disso, terá lançamentos nos diversos gêneros literários, como: aventura, fábula, quadrinho, poesia, fantasia, crônica, estória, cordel, romance, ficção científica, jurídico, literatura popular, religioso, biografia e muito mais.

Uma das autoras a lançar obra na Praça é a pernambucana Carla Gisele, que aproveitou a oportunidade para incluir Alagoas no roteiro de lançamento do seu livro “Ação Feminista em Defesa da Legalização do Aborto: Movimento e Instituição”. O lançamento desse título já aconteceu em Pernambuco, Bahia, São Paulo e, após Alagoas, deve ocorrer no Rio de Janeiro e Paraíba. Nesta oportunidade, a Rede de Mulheres Negras de Alagoas está promovendo o lançamento com a autora.


Esta é a primeira publicação individual de Gisele e ela fala da expectativa. “Uma Bienal do Livro recebe pessoas interessadas em diversos temas. Eu sei que o meu trabalho não é de interesse de um público muito grande, mas acho que é de interesse de pessoas que gostam de política. É um livro que fala muito menos do direito ao aborto e muito mais da atuação política do movimento feminista; e de como esse grupo se relacionou para avançar com esta pauta no país. Tenho a expectativa de poder conversar com pessoas que se interessam pelo tema, isso vai me deixar muito satisfeita”, disse Carla Gisele, militante feminista, que tem o livro como resultado da sua pesquisa de mestrado sobre mulheres, gênero e feminismo no Ppgneim/UFBA. 


Outro autor, entre os 82 inscritos na Praça, é o alagoano Jean Carlos, que também está lançando a sua primeira obra. Ela foi intitulada de “Dandara” e trata de uma história em quadrinhos ambientada em Palmares — na Serra da Barriga, em União dos Palmares — mas que se passa quase dois séculos depois do fim do quilombo.



O artista, que teve financiamento coletivo para conseguir realizar a publicação, explica as dificuldades em ser um autor independente. “Quadrinhos é uma coisa bem complicada se fazer. Exige muita gente em uma equipe para produzir rapidamente um quadrinho, a exemplo dos norte-americanos, e fazer de forma independente, isto é, ser roteirista, desenhista, colorista, editor, marketing e vendas, é exaustivo. Acho que Dandara levou cerca de um ano e meio para ser produzido. O tempo foi grande também por ser meu primeiro quadrinho e queria produzir algo de grande qualidade e para isso o trabalho foi em dobro”, disse Jean Carlos.

O quadrinista concluiu ressaltando a relevância da “Praça de Autógrafos Paraísos de Papel”. “O espaço na Bienal tem uma importância grandiosa neste caminho. É mais uma das pontes que se constroem entre autor e público. Na última Bienal eu estava lançando meu segundo fan-zine [quadrinho artesanal] e foi bem legal de encontrar amigos e fazer novos amigos lá na praça de autógrafos. Além da Praça, também vou participar de uma mostra de ilustradores alagoanos no espaço da Pinacoteca, o museu de artes visuais da Ufal, a ‘Pina Ilustra’, até o final do evento. Assim, o público pode conferir e adquirir outros produtos e criações minhas”, disse Jean.