Discentes da graduação, mestrado e doutorado apresentaram seus estudos filosóficos
Amanda Alves

A 9° Bienal Internacional do Livro também tem espaço para os acadêmicos apresentarem seus trabalhos. Na tarde da segunda-feira (4), ocorreu a apresentação das comunicações da 5° Semana Nacional de Filosofia da Ufal, no pavilhão das oficinas. Os discentes possuíam um tempo para apresentação resumida do seu trabalho e tirar dúvida dos ouvintes. Além disso, José Luciano, professor substituto da Ufal, fazia contribuições através de críticas construtivas. 
Um desses trabalhos era de Juliana Verçosa, mestranda em Filosofia da Ufal. Intitulado de Uma possível crítica nietzschiana a Nagel, a comunicação tem a proposta de fazer certa correlação com o pensamento dos dois filósofos. "Basicamente meu trabalho é um debate entre dois grandes filósofos, Nagel, que é um filósofo contemporâneo e Nietzsche, que é um filósofo moderno mas também considerado contemporâneo", disse.
Verçosa observou que ambos debatem a questão mente e corpo, que para ela, constitui um problema relacionado a inteligência artificial. "O problema mente e corpo está permeado, por exemplo, de discussões atuais sobre inteligência artificial e robótica. Ou seja, é uma discussão extremamente atualizada e que alguns pensadores entendem que tudo é restrito o corpo. Ao passo que você consegue destrinchar as funções do corpo, como o corpo reage, como o cérebro reage, você consegue reproduzir a inteligência, o homem", explica.
E prossegue: "Nesse sentido, alguns filósofos se posicionam contra, como, por exemplo, Nietzsche e Nagel. Então, eu trago esses dois autores para dizer que existem pontos extremamente importantes".
A mestranda explica que o ponto central do seu trabalho é o reducionismo físico, assunto que ambos os filósofos dialogam contra. "No caso do Nagel, ele diz que a consciência é o ponto central, não sendo possível reduzir o corpo a meros organismos, porque existe uma experiência subjetiva, por assim dizer, que não é possível restringir a meras questões físicas. O Nietzsche, por outro lado, diria que essa experiência subjetiva existe, de fato nós só podemos ver em primeira pessoa. Mas, não é possível que eu veja, como Nagel diz, como é ser um morcego, porque eu não tenho acesso a visão do morcego, eu tenho acesso a minha visão. Então, nesse sentido, não há como reduzir tudo ao físico também", conclui.
O docente, por sua vez, afirmou que momentos como esse são importantes não só para os estudantes, como também para os professores, e fez um elogio às apresentações. "Os trabalhos foram bons, o resultado me surpreendeu, foi melhor do que eu esperava", avalia.
A abertura oficial do evento ocorreu na noite do mesmo dia, às 19h, com palestras na sala Jaraguá, localizada no térreo da Associação Comercial. A programação segue com palestras e apresentação de outras comunicações no Pavilhão das Oficinas.