As histórias foram contadas de forma descontraída e com muita música no Espaço Sesc

Texto: Kerolaine Costa e Patrícia Mendonça
Fotos: Manoel Henrique



O amante das letras, das histórias e das ‘Alagoas’, Carlito Lima, esteve enriquecendo a programação deste 4º dia da 9ª Bienal Internacional do livro de Alagoas com duas atividades promovidas pelo Sesc, no Iphan. Às programações formam a venda de livros, autógrafos e roda de conversa, sobre a obra Contos Levemente Eróticos; além da apresentação Ya-ra-guá: o marco zero de Maceió, que trata da história deste bairro que está abrigando o maior evento literário do Estado em 2019.
 

Acompanhado por Luiz Pompe, em voz e violão e o apoio de Ruy Rodrigues no pandeiro, o historiador levou o público a percorrer o bairro de Jaraguá através de suas lembranças. Rodrigues foi convidado da plateia para fazer parte da apresentação e se integrou à Pompe, em ritmo de samba, com um repertório de antigas músicas sobre a pesca e o povo alagoano. Ao final de cada música, eles arrancaram palmas dos presentes e das pessoas que iam passando.


“Eu peguei alguns contos meus do ano passado e deste ano, mais ou menos picantes, que tinham erotismo e juntei num livro e dei este título: Contos Levemente Eróticos ”, contou o autor alagoano que, hoje, com 79 anos, coleciona 24 títulos.

A respeito do Jaraguá, o conhecedor das histórias populares de Alagoas esteve narrando para o público da Bienal contos que, segundo ele, são reais e que mais se parecem com histórias de filmes. Entre elas as histórias das prostitutas e de massacres que aconteceram justamente neste bairro que hoje está sendo reavivado pelo impulsionamento da Bienal e do povo que está se apropriando deste lugar.

O público, maior parte da terceira idade, acompanhou a sessão com muita interação. Envolvidas, as pessoas completavam as histórias sobre os antigos moradores da parte baixa de Maceió e as casas de prostituição, o que aproximou o formato da apresentação de uma roda de conversa. “Os moradores de Maceió deveriam agradecer às prostitutas por elas terem ocupado o bairro de Jaraguá, pois foram elas que ajudaram a preservar os prédios históricos”, evidenciou Carlito Lima.

Ele também trouxe um público fiel à apresentação. Para a professora Laura Lima, que sempre acompanha, o que mais chama atenção é sua memória viva. “Sempre que ele se apresenta eu participo, porque ver uma pessoa com a idade que ele tem, e lembra de tudo, de muitas histórias e não se atrapalha...”, comentou entusiasmada.

Sobre Carlito

Carlito se descobriu escritor apenas aos 61 anos, em 2001, de lá para cá tem lançado uma média de um livro por ano. À época, o seu primeiro livro teve como tema a ditadura militar brasileira. Ele é ex-capitão do exército, engenheiro, ambientalista e ex-secretário de cultura de Marechal Deodoro. Publicou o livro contragosto das autoridades militares; uma obra única, escrita por quem vivenciou ‘do lado de lá’ os pesares da repressão militar.

O livro ficou famoso, foi traduzido em espanhol e lançado em quatro países, na Argentina, Bolívia, Chile e Venezuela. A obra tem grande repercussão nacional.