Mesa-redonda proporcionou uma ampla análise na política pública educacional que já está em vigor no Brasil

Texto e fotos: Patrícia Mendonça



Na tarde deste 5º dia da 9ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas aconteceu a mesa-redonda As implicações concretas da BNCC para a formação docente, que trouxe discussões a respeito da Base Nacional Comum Curricular, proporcionando uma ampla percepção do tema para os participantes da mesa, em especial os professores presentes.

A BNCC está em processo de consolidação e implementação, desde 2018. A base está de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, tendo a intenção de nortear os currículos dos sistemas e redes de ensino das Unidades Federativas e as propostas pedagógicas de todas as escolas públicas e privadas dos Ensinos da Educação Infantil, Fundamental e Médio, em todo o Brasil.

Na teoria, a Base tem a proposta de consolidar e diminuir as desigualdades na educação, principalmente no que diz respeito à aprendizagem, no ensino do país. No entanto, o projeto é tema de controvérsias entre os educadores, que alegam que o projeto traz uma nova roupagem na perspectiva de formação dos alunos; devendo respeitar uma multidisciplinaridade, o que, segundo os docente, não acontece.

A crítica aponta que a Base se torna inexecutável diante do cenário de contingenciamentos e ameaças de cortes nas verbas da educação em todos os níveis e federações do Brasil. “Para se alcançar às metas, que diz respeito a reformulação de todo o currículo, da aprendizagem e da formação de professores é preciso que se haja mais investimentos na educação e, principalmente, na valorização, formação e qualificação da carreira docente, que também está sofrendo com os cortes de bolsas de estudo; é um cenário que, realmente, não vem acontecendo”, criticou Donizete Medeiros, mestrando em História e Política Pública da Educação, pela Ufal.



Não foi construída democraticamente, este discurso é demagógico, pois os professores só contribuíram de uma forma técnica para a formulação do documento, porque tinham-se os espaços online para esta construção mas, o Ministério da Educação pouco se atentou à elas. Sem contar que a Base negligência muito às diversidades, como a exemplo da cultural e de gênero; são discussões que quase não aparecem, diferente dos parâmetros curriculares que existiam na do ano de 1997, que a nova Base veio para substituir”, reclamou Donizete.

Estiveram à frente da mesa Elione Diógenes, da Ufal; Maria Cledilma Costa, do Ifal; Ricardo Silva, Ufal; e a Vanessa Costa, Ufal. O mediador foi o Donizete Medeiros, da Ufal.

A discussão foi provocada pelo Grupo de Pesquisa sobre Estado, Políticas Sociais e Educação Brasileira (Gepe/Ufal), formado em 2010. É a segunda participação do grupo na Bienal, em 2017, quando trouxeram o mesmo debate, antes de a BNCC ser implementada.