Por: Manuel Pinto

O Jaraguá não precisa ser revitalizado! Vida é o que mais se tem em cada canto do nosso bairro.

É com esta frase que inicio nosso breve encontro e bate-papo. Mas, não vim aqui para lhe falar do Jaraguá, única e simplesmente. Não! Meu objetivo aqui é, até o final desta nossa conversa, escrevermos (juntos) um verdadeiro pot-pourri de sentimentos. Vamos lá?!

Ah.... Antes preciso lhe dizer que minha musa inspiradora é você. E sabes onde te reconheci e decidi por gritar meu amor por ti? Na Bienal que teve em nossa cidade (Maceió).

Muito mais do que acessibilidade à cultura e à leitura, a Bienal do Livro de Alagoas de 2019 nos reconectou. Nesta última edição vivenciamos (bem juntinhos) um ressignificar de nossa história, da nossa ancestralidade, um momento de apropriação afetiva de nossos espaços e, tudo isso, de forma leve, democrática e intensa.

Ao te ver pelas ruas, em meio ao mar de diversidade que ali se encontrava, entendi quando dizem que tu és liberdade formosa. Salve! E, bem ali, pelas ruas do Jaraguá, envolvido por livros, danças e músicas, que entendi o quanto tenho de você em mim. Pertencimento! Não estava preparado. Como poderia imaginar que durante ao maior evento literário, cultural e social que temos, em um verdadeiro pastoril de gente, eu iria te reconhecer?

Sabes quando estás apaixonada, que, para cada lugar que olhe, você enxerga quem você deseja? Pois bem.... Este fui eu em meio a Bienal. Te encontrando em cada situação. Nossa.... Como a Bienal me provocou a te amar. Como a Bienal me fez te reconhecer em cada pedaço, canto e rosto. Me questionei diversas vezes: Por que isto agora? O que houve?

Foi quando eu entendi que nossa relação afetiva é intensa, visceral e antiga. Apenas estava abafada.... Escondida. Quando um evento como a Bienal promove este despertar, tudo que está ao redor e na mesma intensidade, deixa de ser desse ou daquele e passa a ser um sentimento de todos. E, é neste momento que entendo que meu bem querer não é segredo, mas, é sagrado. Enfim.... Eu decido por te amor, minha Alagoas!

Não! Não estou romantizando nada aqui.
Sim! Estou falando de Amor. E não existe nada mais revolucionário que este sentimento. Amar é agir para que o outro possa ser em liberdade.

Obrigado, UFAL!
Obrigado, Edufal!
Obrigado, Bienal!

Obrigado por nos transcender deste hic et unum que vivemos. Por ressignificar nossa lente social. Por pulverizar Alagoas em cada um dos corações que ali pôde estar. Por democratizar nossa história. E, assim como feito ao Jaraguá, ocupando seus espaços vivos, vocês provocaram algo único em nosso estado.... O autoconhecimento do saber coletivo, do bem comum e do desenvolvimento do humano (reconhecendo-se como tal).

Esta Bienal foi um serviço social de alto impacto. E, por isso, sua nomenclatura hoje necessita ser repensada. Como algo tão importante e necessário para todos os alagoanos pode ter uma frequência tão espaçada? Por que não, semestral? Por que, ao menos, anual? Por que não termos ‘pílulas da Bienal’ trimestralmente? Estou aqui jogando ideias e provocações.

Mas, independentemente de qualquer decisão ligada a isto, vocês criaram nesta edição, algo imune a qualquer tipo de situação política e antiquada, gerando um momento riquíssimo de pertencimento entre Alagoas e nós, seus filhos.

Ver o alagoano, democraticamente, sentir algo seu com verdade, experimentar com saudade e projetar com esperança, despossuindo-se de inverdades para, assim, perceber sua real história, é algo único e que vocês realizaram.

Mais uma vez, gratidão por tudo! Afinal de contas.... Não há quem não morra de amores pelo meu lugar.