O evento vem dando visibilidade a um espaço que havia sido esquecido pela população

Texto: Kerolaine Costa
Fotos: Manoel Henrique

A 9° edição da Bienal Internacional do Livro de Alagoas surpreendeu a todos com a realização do evento no bairro histórico do Jaraguá. Com músicas, culturas, histórias e muita beleza, o bairro está sendo palco e ao mesmo tempo personagem principal deste grande evento. As ruas que antes foram esquecidas, agora são ocupadas com intervenções artísticas e o povo, que a todo momento se encanta com a bela arquitetura e a grandiosidade da festa que se tornou a Bienal.Além do Espaço Armazem, onde estão localizados os stands para a venda dos livros e os lançamentos das obras, várias atividades estão acontecendo em todo o bairro. 

A rua em frente ao espaço está com apresentações musicais e com atores vestidos de personagens dos contos que encantam desde a criançada até os adultos. Um pouco a frente, a Associação Comercial está sendo um dos destaques e com sua estrutura e iluminação, tem se tornado cenário para as fotos.Falando em fotos, cada pedacinho do Jaraguá tem encantado a população. 

Ao percorrer os espaços, é comum encontrar pessoas registrando cada momento. Isso porque o bairro que era evitado por ser considerado violento, se mostrou algo seguro com a Bienal. A estudante Catherinne Passos mora em Maceió há dez anos e ainda não conhecia o Jaraguá por medo de assaltos. Ela participou de seis dias desta edição da Bienal do livro e está encantada com as belezas do local. 

“Eu acho que esse ano está muito melhor que nos anos anteriores porque teve essa questão da democratização do espaço e pessoas que só estavam passando por aqui se interessaram e vieram conhecer. Além disso acho que foi bem distribuído porque deu pra conhecer o bairro em um todo, não ficou bem centralizado em um só lugar. Além disso eu nunca tinha andado aqui porque tem a questão do preconceito de o bairro não ser seguro e agora com tanto policiamento dá para andar tranquilamente”, contou Catherinne.

 
O estudante de Psicologia, Wilames Costa gostou tanto desta edição do Jaraguá que veio quase em todos os dias. Também participou de várias oficinas e atrações musicais. Segundo ele, essa bienal está sendo histórica e fará parte dos livros. Além do mais, ele explica que depois do povo se apropriar dessas ruas, não tem como a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) organizá-la nos próximos anos de outra forma. “Estou adorando, o evento está maravilhoso, a energia hoje está incrível e esta bienal com certeza  entrará para todos os livros de história, o que aconteceu hoje foi um marco, principalmente com a nossa reitora estando aqui presente sempre e só desejo coisas boas para o próximo ciclo e que domingo encerre com chave de ouro”, declarou. 

A Bienal do Livro de Alagoas é a única brasileira totalmente gratuita e organizada por uma universidade pública. Os estudantes da instituição também estão trabalhando como monitores no evento. O graduando em Jornalismo, Maykson Douglas já atuou em outras edições no apoio das escolas públicas do Estado que agendam visita para participar da programação e é por gostar de estar em contato direto com o público e prestar apoio aos estudantes que vêm de todas as partes do estado e muitas vezes não conhecem eventos deste porte que ele se inscreveu durante esses anos.

 
“Com a bienal acontecendo num estilo diferente e ocupando as ruas do histórico bairro de Jaraguá, achei bem mais acessível e democrático, pois se aproxima da sociedade, e eu defendo que a universidade faça isso sempre, pois acredito que é ao povo a quem ela deve servir”, contou o estudante de Jornalismo. 

A aposentada Cleide Alves, de 69 anos trouxe filhos e netos para conhecer o evento no Jaraguá. Ela já conhecia o bairro e achou ótima a iniciativa de tirar a Bienal do seu antigo espaço para movimentar essa parte da capital. “Eu achei ótimo porque revitaliza o bairro que estava tão esquecido e precisa realmente de muitos eventos nesse porte”, disse a aposentada. 

Considerado um dos maiores eventos literários e culturais de Alagoas, a Bienal vem incentivando também o comércio. Foi pensando em facilitar para a população que não precisa sair do
Jaraguá para se alimentar, o espaço também conta com food trucks com várias opções de comidas. Uma das maiores vendas feitas são dos livros. Para a atendente odontológica Élia Costa que já trabalhou por vários anos na vendas dos livros nos stands, essa é uma chance de conhecer pessoas e obras. “é uma oportunidade de ver vários autores, tanto alagoanos como outro. Conhecer outros livros e o público graças a Deus está comparecendo bastante aqui”, relatou. 


As redes sociais da Bienal do Livro e da Ufal estão sendo canais para a população deixar suas opiniões sobre esta edição. O professor João David Alves, de Delmiro Gouveia expôs sua admiração pelo evento. “foi minha primeira Bienal de muitas. E não poderia ser mais especial do que ser em Alagoas. Terra que vivo e amo. Foi lindo conhecer o Jaraguá. Foi lindo o que vivi hoje”, declarou o professor que visitou o espaço na manhã do penúltimo dia.