Grupo Samba para Mulheres também se apresentou depois da solenidade

Texto: Kerolaine Costa


A 9ª Bienal Internacional do Livro homenageou, por meio do prêmio Dandara, mulheres que estão à frente de movimentos sociais em Alagoas. A premiação aconteceu na noite desta quinta-feira (7), na escadaria da Associação Comercial e premiou dez mulheres consideradas exemplos de luta e resistência no Estado.

Promovida pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e com a liderança da professora Lígia Ferreira, a solenidade teve como propósito dar voz e visibilidade para mulheres que vêm fazendo a diferença no atual cenário político do Estado. De acordo com a professora, o prêmio Dandara simboliza todas as mulheres que lutaram e são símbolo da resistência feminina, como Marielle Franco e a alagoana Elizabete dos Santos, que faleceu há poucos dias.

As dez homenageadas foram Anneliza Lima da Silva, do movimento de pessoas em situação de rua; Bruna Kantokinn, do Movimento Indígena; Débora Nunes, do MST; Edcleide da Rocha Silva, do Movimento das mulheres camponesas; Eliane Silva, do Mtst; Leninha Amaqui, do Movimento quilombola; Mãe Neide Oyá, D’oxum Religião de matriz africana; Natasha Wonderfull, do movimento LGBT; Shakti C.M. Sampaio, do movimento Indígena e Vanessa dos Santos Silva, representante das mulheres marisqueiras.

A reitora a Ufal, Valéria Correia, fez um discurso parabenizando as mulheres premiadas e aproveitou para destacar a importância da Bienal do Livro promover esse encontro e dar visibilidade aos representantes dos movimentos sociais para descriminalizar essas comunidades. “O objetivo é dar voz, vez, iluminar, trazer para a cena política, cultural desta Bienal, desta cidade, mulheres que fazem do seu cotidiano de vida uma luta constante para mudar as condições de vida em que estão inseridas, as condições de vida que seus companheiros estão inseridos e também as condições de trabalho”, ressaltou.

Uma das homenageadas da noite foi a Mãe Neide, patrimônio vivo alagoano. Com um discurso emocionante, ela contou a importância do prêmio para outras mães espirituais que disseminam as religiões de matriz africana em Alagoas. Mãe Neide cantou e abençoou a todos, arrancando palmas do público. Além dela, A mulher trans, Natasha Wonderfull, do movimento LGBT transformou a solenidade em um momento poético com agradecimentos e relatou algumas suas vivências como técnica de enfermagem.

Por fim, a reitora Valéria Correia anunciou a criação de um ambulatório para pessoas trans no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (Hupaa).


Samba das Mulheres

A premiação encerrou com o grupo Samba para Mulheres, criado no ano passado. “É um motivo de grande alegria participar deste evento. A gente já acompanha a Bienal há muitos anos e sabe da importância desse evento, principalmente no momento que estamos vivendo. É um momento que estimula a cultura, então estamos muito felizes de participar e queremos voltar mais vezes”, contou a psicóloga Bárbara Abreu, uma das participantes do grupo.