A mesa falou sobre justiça e reparação como memória dos desaparecidos 
Texto: Pedro Vianna 
Imagens: Blenda Machado 


A 9ª Bienal Internacional do Livro homenageou; por meio da mesa Memória, Verdade e Justiça; às vítimas, incluindo mortos, torturados e desaparecidos na Ditadura Militar de 1964. O momento aconteceu na noite desta sexta-feira (8), na escadaria da Associação Comercial com a presença do Secretário de Estado da Comunicação, Ênio Lins como mediador da mesa.

A solenidade começou com a leitura da carta de Manoel Simplício de Miranda sobre a ditadura, lida e interpretada pelo professor da Escola de Teatro da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Otávio Cabral.

Logo após, a apresentação da composição da mesa, foi iniciada a homenagem com as imagens das vítimas do período violento na história brasileira. O momento foi um dos mais emocionantes da noite, deixando o público das ruas de Jaraguá, em silêncio por alguns minutos.

O coordenador do comitê da Memória, Verdade e Justiça e membro da Comissão de Direitos Humanos de Pernambuco - Marcelo Santa Cruz - fez um discurso fazendo um paralelo entre o momento político que o país está vivendo agora, a realização da bienal e à época da ditadura e lembrando do que aconteceu na última bienal no Rio de Janeiro em que o prefeito, Marcelo Crivela, tentou censurar as obras LGBT do evento. “A bienal de Alagoas acontecendo nas ruas de um bairro histórico como o de Jaraguá é a resposta contra à censura que aconteceu no evento do Rio de Janeiro”, pontua.

Sobre o período da ditadura, Santa Cruz, lembrou das consequências sofridas pelas famílias dos desaparecidos e também daqueles que eram acusadas de delitos contra a nação. “A família do desaparecido não consegue viver o luto pela falta de materialidade”, explica. “As pessoas que foram consideradas terroristas eram trabalhadores e estudantes honestos”, completa.

Maria do Amparo, alagoana de Palmeira dos Índios e fundadora do coletivo Tortura Nunca Mais, lembrou um pouco sobre sua trajetória como militante da Ação Libertadora Nacional (ANL) e do irmão mais velho que está na lista de desaparecidos, assim como seus três companheiros. Pontuou ainda sua luta nas investigações da tentativa de descobrir as vítimas do período. “De 1979 para cá foi uma luta imensa até que o estado brasileiro concordasse em investigar as ossadas de possíveis vítimas”, explica.

Sobre a bienal, a alagoana também elogiou o fato da bienal acontecer nas ruas do bairro. “Essa experiência das ruas lotadas como está acontecendo aqui no Jaraguá hoje com a bienal, só me faz querer voltar sempre”, disse. A Reitora Valéria Correia completou, “Essa bienal trouxe os livros para a rua e por isso é a bienal da liberdade”.