Último dia do Seminário Diálogos em Cena iniciou debatendo importantes questões femininas

Dayvson Oliveira (texto e fotos)


Infância roubada, estudos interrompidos e saúde em risco. Uma triste realidade retratada no documentário 'À Espera', de Nivaldo Vasconcelos e Sônia André. Com apresentação da Professora Ana Flávia Ferraz, da Ufal, exibição foi às 15h, no auditório do MISA. Em seguida, houve a exposição 'Artivismo Feminista e suas Texturas Visuais em Maceió/AL', com Bruna Teixeira. No encerramento da atividade, as realizadoras dialogaram com o público.

O filme é de 2016 e conta a história de meninas de Moçambique que estão à espera de um futuro melhor. Inês é umas delas.  Com apenas nove anos, a garota já estava prestes a ser mãe. Elas são forçadas a casar com homens bem mais velhos e muitas vezes têm seus estudos interrompidos. Com medo, elas dividiram pouco de suas histórias, por isso o caráter mais observativo da obra. Ainda assim, mesmo com o silêncio, é possível ouvir o grito por ajuda.


Angela Maria de Brito, é militante do movimento negro. Apesar de já ter assistindo ao documentário, ela veio conferir mais uma vez. Segundo ela, não é preciso ir muito longe para ver episódios parecidos: "Não acontece só em Moçambique, onde ele foi feito, mas na África e também no Brasil. Aqui, as mães que não têm recursos financeiros, prostituem suas filhas", denunciou. A ativista diz que é comum ver essas situações nas estradas.

A assistente social, Stefane barros, confirmou a problemática: "Essa realidade é muito presente aqui, basta ir nos bairros da periferia de Maceió. Há um alto índice de gravidez precoce na adolescência, as crianças são bastante sexualizadas", acrescentou. Para a profissional, o tema precisa ser trabalhado nas escolas. Ela ainda diz haver uma necessidade de maior atenção por parte das autoridades.

A escolha do curta foi por conta da relação estreita com o tema do seminário, que neste ano é 'Arte, Gênero e Resistência'. O mesmo serve para a mostra: "ambos tratam de cor, diretos, violações, possibilidades de escolhas e todas as questões que são claras ao próprio seminário", explanou Ana Flávia. Sônia, diretora da curta-metragem, está em Moçambique trabalhando em um novo projeto. A professora planeja uma nova exibição, após o retorno da produtora.