Momento levou os participantes a pensar sobre o papel da mulher na sociedade e a questão do gênero

Texto: Fabiana Soares 
Foto: Cairo Marttins



Na noite da última quinta-feira, 7 de novembro, a Praça da Igreja Nossa Senhora Mãe do Povo recebeu uma roda de conversa sobre gênero, sexualidade e raça. Estiveram presentes nesta atividade as palestrantes Isis Florescer que tratou do assunto da transexualidade, Gabriela Torres que explicou as dificuldades de não se sentir pertencente a um grupo por se reconhecer bissexual e Sandra Sena, que falou em nome das mulheres e esclareceu alguns pontos importantes no feminismo.

Isis Florescer, que está há mais de um ano em processo de mudança no seu corpo, diz se sentir numa posição de privilégio, por ser uma trabalhadora, mesmo diante das dificuldades que já enfrentou, pois é comum para as transexuais “carregar este estigma (...) de que é sujo, que está numa zona de prostituição, de marginalidade” e completa, “Será que é só isso que nos cabe?”. Todos os dias, ela afirma, que é extremamente necessário se defender, lutar, desconstruir o pensamento das pessoas e até mesmo ensiná-las como se dirigir à ela, “É um esforço que também demanda estar psicologicamente bem. Educar as pessoas de como elas devem me tratar, enfim, como elas devem se reportar para mim, e enfrentar situações de preconceito todos dias cansa.”

Gabriela Torres falou um pouco das dificuldades das pessoas em compreenderem a vida de alguém que é bissexual, pois a maioria das pessoas não conseguem entender e nem fazem esforço para isso. Ela diz se sentir incompreendida tanto pelo grupo LGBTQI+, quanto por quem está fora dele. Logo no início, quando ainda estava se descobrindo, sua família acreditava que “ou você é uma coisa, ou você é outra”, ou seja, ou gosta de homem e é cis ou gosta de mulher e é lésbica. Segundo ela “cada pessoa é um universo” isso significa dizer que o ser humano é muito complexo para tentar entender de forma superficial.

Sandra Sena falou um pouco sobre o feminismo, segundo ela “não tem como falar de mulheres sem falar do sistema, mulheres trans, mulheres lésbicas, mulheres negras, mulheres heterossexuais, inseridas na nossa sociedade patriarcal e qual o nosso lugar nesse sistema?”

Levantar assuntos como  sexualidade, raça e gênero se torna necessário por provocar mais questionamentos para os debates e, assim, possibilitar maior circulação do conhecimento. Segundo as palestrantes, o intuito da noite foi trazer um pouco do olhar de cada uma do quanto é necessária a luta diária e a importância de se ter apoio das pessoas não pertencentes a esses grupos.