A paulista esteve no maior evento literário do Estado nos dias 2 e 3 de novembro

Texto: Patrícia Mendonça
Fotos: Manoel Henrique


Entre as atrações mais esperadas deste terceiro dia da 9ª Bienal internacional do Livro de Alagoas, a jornalista, quadrinista e ilustradora, Helô D’Angelo, fez o público alagoano disputar as vagas na Oficina de Desenho ministrada pela paulista. A atividade foi realizada na tarde deste domingo (3), na Sala Jaraguá, localizada no térreo da Associação Comercial. 

A ilustradora tem como pauta o feminismo e o ativismo social. É compartilhada massivamente nas redes sociais, inclusive, por grandes perfis jornalísticos. Em apenas uma das suas redes, o Instagram, a jovem tem quase cem mil seguidores. 

“A importância de tratar temas como o feminismo e a política é democratizar o acesso a estes conteúdos, pois ficam muito presos nos muros da universidade e, isso, infelizmente, acaba afastando a maior parte da população destes temas. Então, trabalhar com quadrinhos, um gênero tão popular, é muito bom, pois as pessoas acabam se interessando mais por este tipo de conteúdo crítico”, avaliou Helô D’Angelo.

Helô também esteve na noite do dia 2 na Praça de Autógrafos Paraíso de Papel, que compôs o roteiro de lançamento do seu livro recém-publicado: Dora e a Gata.



A obra

Dora e a Gata é o primeiro grande HQ [história em quadrinho] da ilustradora. A obra tem 116 páginas e recebeu financiamento coletivo, concluído em agosto deste ano. O sucesso da ilustradora é tanto que à época da ‘vaquinha’ dobrou a meta de arrecadação.

O livro foi todo ilustrado à mão, com técnica de aquarela, e conta a história de uma personagem chamada Dora, que encontrou uma gata na rua e decidiu adotá-la. Nessa aventura, descobrem juntas sobre autocuidado e, assim, vão amadurecendo. Inicialmente, a história foi difundida no Instagram, mas, com o sucesso, a autora decidiu torná-lo em um projeto maior: o livro.

“Eu acho que o fato do meu livro ter conseguido tantos apoios é um demonstrativo de que as pessoas estão consumindo o meu trabalho e, portanto, estes temas que eu trato estão chegando para o povo. Acho que muita gente que está apoiando o meu trabalho não está acostumada a ler quadrinhos, e tinha muita dúvida a respeito do funcionamento da leitura ou mesmo da plataforma de leitura que eu usei, o Catarse. As pessoas não sabiam muito bem como funcionava então, foi muito legal ensinar”, contou a jornalista.

A oficina

Apesar do grande interesse do público, apenas 20 pessoas puderam participar da oficina ministrada pela Helô. E o conteúdo fez jus à expectativa do público. Ela abordou a origem do quadrinho; elementos básicos; criação do universo; narrativa; estrutura; consistência; roteiro; além de técnicas de desenho.


“Estar em Maceió é incrível, pois eu saí de São Paulo, que é um lugar que já tem muito quadrinho e, por mais que seja um meio muito machista, há muitas mulheres atuando lá, e conseguir chegar até aqui [Bienal Alagoas] está sendo uma experiência incrível”, concluiu a artista, informando que é a primeira vez que pisa em solo alagoano e aproveitou para conhecer as águas mornas do mar de Maceió.

Entre os 20 participantes da oficina, estava Maria Clara, de 7 anos, com olhares e ouvidos bem atentos. A criança, segundo o pai, Igor Araújo, é um prodígio nas artes. “A minha filha é fissurada por desenho, todos os dias ela desenha e é uma grande consumidora de lápis, canetinhas e papel. A gente sempre vem alimentando esta ânsia dela. Eu e a mãe atuamos como um caça-talento dela e do irmãozinho. No que eles demonstram aptidão a gente faz questão de apresentar o máximo de informações e conteúdos relacionados”, explicou o pai, com um largo sorriso no rosto. Maria Clara, aparentemente tímida, disse que ainda não conhecia a Helô, mas, pela atenção, certamente a pequena artista fez um grande proveito da oficina.

Para quem perdeu a atividade pode participar da Oficina de Ensino de Arte e Desenho com a Tácia Graciele, no próximo domingo (11), no Pavilhão de Oficinas, na sala 5, das 10h às 12h.