Alagoanas promovem a ‘literatura feminina’ em cidades do Estado

Texto e fotos: Patrícia Mendonça



Uma mesa-redonda empoderadora aconteceu na tarde deste 7º dia da 9ª Bienal Internacional do Alagoas. Com o tema “Leia Mulheres em Alagoas”, mulheres que coordenam de grupos de leitura de quatro cidades do Estado estiveram à frente das discussões, problematizando questões relacionadas a participação da feminina na literatura.

Ávidas pela leitura e pela defesa da mesma, Elaine Raposo, de Marechal Deodoro; Laura Emília, de Arapiraca; Marta Ferreira, de União dos Palmares; e Roberta Rocha, de Maceió, são entusiastas e militantes da literatura. A defesa é tamanha que, juntaram-se a outras mulheres defensoras da mesma causa e formaram o “Leia Mulheres” em cada uma das cidades citadas.

“Quem participa de um clube de leitura tem uma vontade latente de conhecer o olhar do outro, bem como se expressar também”, ressaltou Roberta Rocha, uma das coordenadoras do Leia Mulheres Maceió.

Os grupos têm diferentes datas de fundação, bem como diferentes ritmos de atividades; mas o objetivo é o mesmo: ser ambientes de acolhimento entre as mulheres que participam, estimulando a leitura e, por consequência, o conhecimento.

Em comum, às alagoanas citadas tem também a inquietação no que diz respeito a pouca presença da mulher no mercado editorial e a pouca leitura das que ‘driblam’ o cenário e conseguem fazer publicações.



“Mais de 90% dos cursos de letras de Alagoas é formado por mulheres, mas a maioria dos Trabalhos de Conclusão de Curso são com base em obras de homens, isto é muito triste”, criticou Elaine Raposo. Complementando que, enquanto professora, tem a oportunidade de levar para a sala de aula discussões necessárias a respeito de gênero, classe e raça, às quais não aparecem no currículo escolar, e, por outro lado, são massivamente incentivadas nos “Leia Mulheres”.

Segundo a professora, às discussões fazem diferença. “Observo mudanças positivas nos comportamentos dos meus alunos. A exemplo das alunas que se reconhecem enquanto mulheres negras, isso é essencial”, disse Elaine.

A discussão não é fácil, segundo às mediadoras dos grupos, é a prática da resistência diariamente. “É como se a gente estivesse apresentando um consumo literário mais consciente”, pontuou a estudante de Letras, Laura Emília, uma das mediadoras do Leia Mulheres em Arapiraca, apontando a importância de mulheres consumirem e incentivarem às obras de autoria feminina, visto que sempre estiveram à margem da sociedade, inclusive neste âmbito.

“Existe uma grande dificuldade de às pessoas entenderem que às mulheres não escrevem somente sobre temas referentes à mulher. Nós escrevemos sobre tudo”, enfatizou Laura.

O Leia Mulheres tem abrangência nacional, presente em mais de cem cidades do Brasil. Interessadas em disseminar a ideia nas demais cidades, podem se informar mais a respeito por meio do seguinte e-mail: <contato@leiamulheres.com.br>.