Autores alagoanos imprimem lutas e causas em suas obras

Texto e fotos: Patrícia Mendonça

A tarde deste segundo dia da 9ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas contou com a rica discussão a respeito da negritude na literatura alagoana com a mesa “Olhar Opositor: Representatividade Negra e Periférica na Literatura Alagoana Contemporânea”, que ocorreu das 14h às 16h, no auditório da Associação Comercial. 



Estiveram à frente das discussões os autores alagoanos Ana Iris, Jean Albuquerque, Lucas Litreto e Richard Plácido. Na oportunidade, os escritores, que têm em comum a poesia como forma de manifestação artística, defendem e incentivaram a ocupação e apropriação dos mais variados espaços da sociedade por negros, assim como eles fazem por meio da literatura e em outras esferas de suas manifestações. 

Escrever não é um ato silencioso

“Não espera-se que pessoas como nós tenham lugar na sociedade, na ciência e demais esferas”, crítica a estudante de Zootecnia Ana Iris, que, assim como seus colegas de mesa, contrapõe às expectativas da engrenagem social, e ocupa espaços, resistindo em meio à luta de classes; o que enaltece a importância de o negro e o periférico estarem na nesta disputa de espaço e poder. 

Embora os autores tenham entre às suas pautas o racismo e às problemáticas que assolam os periféricos, não são em todas as obras que eles vêem a necessidade de abordar essas causas, visto a infinitude de outras possíveis abordagens. No entanto, o senso crítico e a força estão alinhadas com os seus posicionamentos visto todo o repertório vivenciado por esses autores considerados ‘à margem da sociedade’.

“Sinto necessidade de escrever sobre outros temas. Inclusive, existe uma cobrança para que eu explore outros temas. Mas as pessoas tem dificuldade de entender que eu não escrevo apenas sobre o racismo”, disse Lucas Litrento.

Entre o público presente surgiu a seguinte inquietação, a percepção de que o espaço do negro na literatura ainda tem muito a ser conquistado. De acordo com as observações a maioria dos ouvintes da mesa eram negros.