Como despertar a curiosidade e o desejo de aprender as funcionalidades dessa disciplina norteou o debate

Texto e fotos: Fabiana Soares


A Bienal Internacional do Livro de Alagoas abriu o debate sobre o ensino da filosofia no ensino médio. A mesa-redonda realizada na última quarta-feira (6), no Pavilhão das Oficinas, contou com a presença do professor da Ufal Rafael de Almeida Silva e os estudantes da graduação em Filosofia Arthur Lamenha e Jonathan Guedes. Cada um expressou um pouco das experiências em lecionar para adolescentes do ensino médio.

Em sua fala, Rafael disse que a academia, nos últimos anos, vem formando professores que não têm compreensão da real situação de ensino nas escolas, contribuindo na formação de profissionais com experiências apenas acadêmicas. Segundo o professor, ter título de mestre e doutor é muito importante, mas trazer a transformação da educação básica é algo necessário e urgente. “Se colocarmos um profissional em uma sala de aula vamos chocar ele e fazer repensar os métodos que usa”, enfatiza.

Ele acredita que daqui a alguns anos a graduação de Filosofia pode fechar suas portas aqui em Alagoas, pelo simples motivo de não ter profissionais suficientes para preparar bem esta base de ensino que estimule os adolescentes a compreender a importância da disciplina em suas vidas.

Arthur Lamenha disse que a falta de paciência em buscar formas alternativas de repassar conhecimentos esbarra na falta de interesse dos alunos. Para ele, mesmo sendo um desafio, é muito importante tentar diversas maneiras de despertar o desejo de compreender e gostar da disciplina, pois “a filosofia questiona realidade, contribui na reflexão de tudo que está nossa volta, altera a percepção de política e sistema de produção”.

O estudante Jonathan Guedes falou sobre o principal desafio da Filosofia: “É ensinar os adolescentes que estão hoje no ensino médio a pensar a filosofia, saber ler um texto de filosofia, sem necessariamente ter que decorar nomes e períodos em que viveram grandes filósofos”.

Ao final, Arthur Lamenha deixou como questionamento a seguinte pergunta: “Será que para o jovem isso tudo tem relevância, que ele pode mudar o mundo?”.