Evento contou com homenagens e apresentação da campanha Paulo Freire vive

Texto e fotos: Amanda Alves



Na manhã desta segunda-feira (4), aconteceu o Seminário de Pedagogia: 80 anos de história do curso, no Espaço Rex. A abertura do evento foi ministrada pela professora Sandra Regina, pró-reitora de graduação da Ufal, pelo diretor do Centro de Educação (Cedu), Jorge Eduardo e pela professora Silvana Paulina.

Para Sandra, o momento é de celebração. ‘’Eu penso que celebrar 80 anos de Pedagogia no Brasil, é celebrar também a resistência, a persistência e, sobretudo, o pensamento de Freire’’, disse. Após o momento, discentes do curso de Pedagogia da Ufal leram um poema e cantaram uma paródia em homenagem a Paulo Freire.

Conferência de abertura

A conferência de abertura teve como tema Pedagogia da resistência: um diálogo desde Paulo Freire, ministrada pelo professor adjunto da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Junot Matos. A coordenação da mesa-redonda ficou sob responsabilidade da docente Valéria Campos (Ufal). 

De acordo com Campos, “não se pode falar em Pedagogia e resistência no Brasil sem citar Paulo Freire”. E continua: “É entendendo que a educação sozinha não transforma o mundo, mas ela transforma as pessoas e elas transformam o mundo. Estamos aqui para pensar numa Pedagogia libertadora, que nos possibilite enxergar o mundo, e resistir sempre nesse momento muito difícil que vivemos atualmente’’, afirmou.

Em análise ao cenário da educação no Brasil, Matos cita que é de luta. “Nós vivemos hoje em uma luta contra a educação, uma luta que tenta desmobilizar o estado brasileiro, ter uma educação pública laica, de qualidade, que garanta o acesso de todos e todas. Nesse sentido, tentam descredibilizar Freire, porque se pensa que é possível fazer uma educação neutra, apolítica”, destaca. E ressalta: ‘’Eles querem com a política, propor uma educação ‘apolítica’’’.

Em sua palestra, o docente ainda passou por vários temas, desde pedagogia da inclusão, até momentos pessoais que teve com Freire. ‘’Quando [Freire] lançou Pedagogia da autonomia, estive com ele e brinquei dizendo que autonomia é um grande sonho numa noite de verão, e ele disse que eu entendesse a autonomia como uma bandeira política’’, lembra.


Campanha ‘Paulo Freire vive’

Maria José, que faz parte da Escola de Educação Popular de Alagoas, afirmou que a atividade da escola nesta Bienal é fazer o lançamento da Campanha Paulo Freire vive. “O Conselho de Educação Popular da América Latina e do Caribe [Ceaal], percebendo os riscos que todo o continente vem enfrentando do avanço da extrema direita, do governo, que quer destruir direitos, colocar o povo na miséria, chamou um manifesto. E vocês podem assiná-lo pela internet, como também se inscrever como membros do Ceaal. É uma defesa do legado de Freire’’, conclui.

Para finalizar as atividades da manhã, o manifesto foi lido por discentes em um jogral. A programação segue durante a tarde, com roda de conversa e conferência de encerramento.