Expressão corporal é a forma sugerida que integra corpo e mente

Texto e fotos: Joyce Lys


A oficina Estética do Oprimido e Desafios Comuns, ministrada pela pesquisadora e professora Deise Francisco e pelo professor e multiplicador do teatro do oprimido, Hudson Araújo, foi realizada na última sexta-feira (8), no Pavilhão das Oficinas.

A dinâmica da oficina foi introduzir a origem e métodos do teatro do oprimido, contextualizando o início de sua criação que nasceu como uma resposta a repressão na ditadura militar e que foi se adaptando ao longo dos tempos e criando novos formatos teatrais e artísticos.

O teatro do oprimido é uma forma de arte, expressão, que, segundo o criador Augusto Boal, não basta interpretar a realidade, mas intervir, transformando a realidade, que busca “humanizar a humanidade”. A oficina teve como objetivo apresentar esse método e discutir questões de opressão, “Vamos discutir questões de opressão, situações de conflito através da estética do oprimido, que é apenas uma das modalidades do teatro do oprimido”, disse Hudson.

Deise Francisco completa: “A estética do oprimido é uma nova forma de resistência. Temos percebido que as formas que a sociedade está utilizando até então não estão funcionando, o teatro do oprimido é uma nova resistência”. Hudson ainda acrescentou: “Um novo tipo de resistência a partir da arte. Somos novos porque envolve todo o corpo do ser humano, não é só a verbalização que estamos acostumados, a resistência vai se expressar nesse corpo, ela vai movimentar o corpo e a mente. Então é como se nós estivéssemos como um ser humano integral, todo envolvido e todo ativado para a luta social a partir do teatro e de outras artes”.

Esse foi o primeiro contato de alguns participantes da oficina com o debate. A estudante de Nutrição, Divanice Melo fala de sua experiência: “Eu estou encantada, foi o meu primeiro contato. Quando colocamos em prática na expressão corporal, o sentimento daquilo flui. Nós podemos sentir na pele de modo empático, o que acontece em toda a opressão. Com essa forma de arte, conseguimos expressar no corpo sentimentos, coisas que a gente viveu. Cada pessoa consegue ter uma interpretação diferente de acordo com as experiências vividas. Entendi o objetivo do projeto, estou interessada em participar”.

Para ampliar o diálogo, no próximo domingo (10), acontecerá a mesa redonda sobre o Teatro do Oprimido e Estéticas militantes, às 13h na sala 2 do Pavilhão das Oficinas. Hudson Araújo convida a todos para unir outras ideias sobre essa forma de arte. “Gostaria de aproveitar a oportunidade para convidar todos para a mesa redonda. Nesse momento vamos ampliar o nosso diálogo, convidamos colegas que fazem parte do teatro do oprimido, mas também outros parceiros que constroem e articulam arte, educação e ação política para emancipar o sujeito e para criar reflexão crítica. Vai ser bacana pra quem quer conhecer outros autores sociais”, convidou.