Apesar de ser voltada principalmente para mulheres, público foi misto

Dayvson Oliveira (Texto e fotos)



Com a proposta de promover, o empoderamento feminino, foi realizada a Oficina de Formação de Novas Slammers – Batalha de Poesias. A atividade faz parte do 1º Seminário Diálogos em Cena: Arte, Gênero e Resistência, que acontece de 8 a 9 de novembro, no Pavilhão das Oficinas. Além de oficinas, a programação conta com exibições audiovisuais, leitura dramatizada, palestras, lançamentos de livros, desfiles e mais.

Ticiane Simões, integrante e pesquisadora do Núcleo de Estudo e Pesquisa das Expressões Dramáticas (Neped), foi quem instruiu a roda. Ela também compõe a equipe da ONG Ateliê Ambrosina, que promove outros momentos de aprendizagem durante todo o ano. “A gente costuma dizer que a oficina é uma porta pra um primeiro não, é entender que a gente pode dizer não, que a gente tem poder de escolha e na roda é dada voz pra essa mulher”, explicou Ticiane.

A promotora cultural pediu para que o público escrevesse uma breve apresentação colocando problemas que passaram ou presenciam de forma passiva. Após assistirem vídeos de debatedoras de poesia, eles foram estimulados a usar a caneta para reagirem a essas situações: “a principal ideia é fazer com esse lugar de fala seja dado, que algo que esteja entalado na garganta possa sair”, falou. No papel, não há nenhuma regra para expressar os sentimentos.

Os professores do Ifal de Arapiraca trouxeram os alunos para participarem da oficina. A instituição promove o evento Negritude em Foco no dia 22 deste mês e aproveitou a proximidade com o tema para já provocarem os estudantes. "É importante debater entre os alunos pra que eles se conscientizem e melhorem a geração, diminuam essa questão dos preconceitos, tanto racial, quanto de gênero", disse a educadora Maria Célia.

Para a estudante Lorena Viana, a experiência foi complicada, mas necessária: "vieram várias memória na minha cabeça, eu lembrei de várias situação de assédio que aconteceram tanto comigo como com outras pessoas, que eu vi e não pude fazer nada", compartilhou. Parte do impacto ficou por conta dos palavrões. Taciane diz que o slam é um grito: "é um lugar de ofensa. Se não for pra ofender, parece que não faz sentido", justificou.

Amanhã (9), acontece o Sarau das Minas, no Espaço Sesc (Iphan). Uma pequena prévia da terceira edição do Slam das Minas, que será realizado ainda neste ano. E para ajudar as mulheres alagoanas na conquista espaço no campo, dia 1 de dezembro, ocorre a Copa das Rachas, no Pontal da Barra. Essas iniciativas podem ser conferidas no Instagram @atelieambrosina.