Lenna Bahule e Sónia André representaram o país e receberam uma placa 

Texto: Fabiana Soares
Fotos: Thiago Prado


Foi numa belíssima cerimônia, na Escadaria da Associação Comercial, no Jaraguá, que a cantora Lenna Bahule, e a atriz, cineasta e doutoranda em Educação pela Ufal, Sônia André, representando Moçambique, receberam uma homenagem da Bienal de Alagoas. A entrega da premiação foi realizada pela reitora da Ufal Valéria Correia e pela diretora da Edufal e coordenadora geral da 9ª Bienal, Elvira Barreto. A professora Jusciney Carvalho Santana, pesquisadora sobre políticas afirmativas e gestão da educação superior no Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab) também participou da homenagem.


A reitora Valéria Correia relembrou a importância de realizar homenagens como esta, que enaltecem e enchem de alegria os envolvidos. A professora Jusciney Carvalho afirmou que uma homenagem à Moçambique é também à toda África. "Por tudo o que continente representa no processo de construção histórica e identitária do nosso país e pela valiosa produção de conhecimentos desde os países africanos e, em especial, os países lusófonos, com os quais mantemos vínculos ainda mais estreitos. E, para a ocasião, queremos ressaltar a riqueza literária, artística e acadêmica moçambicana", disse.


Em seu momento de agradecimento, Sônia lembrou de grandes nomes da literatura brasileira. Falou da cultura alagoana e fez uma breve declamação saudando seu país ao usar sua língua materna, Chopi, do grupo étnico Chopi, uma das línguas faladas na província de Inhambane, situada no Sul de Moçambique. Ela ressaltou que Moçambique não é só “dor e sofrimento”, mas que sua terra vai além disso, e que por essa razão é sempre bom que a grande mídia brasileira reconheça a cultura.


A cantora Lenna Bahule agradeceu recordando uma canção que costuma cantar, quando criança. Ao som dos instrumentos musicais atabaque, tocado por Manu Preta, e Chelo, por Miria Abs, Otávio Cabral e Ticiane Simões recitaram alguns poemas emocionantes.



PEC-G

Todos os anos a Universidade Federal de Alagoas recebe estudantes de Moçambique, que são maioria, se comparado ao número de jovens que também vêm de outros países africanos que fazem parte de projetos e programas educacionais.

O Programa Estudante Convênio de Graduação (PEC-G) foi criado em 1965, pelo então Ministério da Educação e Cultura (MEC), como projeto de cooperação educacional internacional e no contexto da crescente migração de população estrangeira para o Brasil. A priori, o programa estava voltado basicamente aos países latino-americanos. Atualmente, África é o continente de origem da maior parte de estudantes, o que representa 76% das pessoas selecionadas, segundo dados da Divisão de Assuntos Educacionais do Ministério de Relações Exteriores.


“Não sabemos ao certo a entrada de Moçambique no PEC-G, no entanto, entre os anos 2000 e 2019, o Brasil recebeu quase oito mil estudantes de 22 países africanos. Durante o mesmo período, foram 229 estudantes de Moçambique", ressaltou a professora Jusciney.