Terra dos escritores” resiste e traz 38 obras para o maior evento literário do Estado

Texto: Patrícia Mendonça
Fotos: Kalinny Malta





O sertão alagoano está presente na 9ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas. A Editora SWA Instituto, entre os dias 1 e 10 de novembro, realiza o lançamento de 13 autores do interior do Estado no evento literário. A editora resiste, e lança títulos nos mais variado gêneros, dando oportunidade para escritores populares e científicos. O estande da SWA é o de número 65, localizado no início do lado direito do Espaço Armazém, para quem entra pela emblemática Rua Sá e Albuquerque.

Os autores têm idades entre 8 e 89 anos e, durante o evento, estarão se revezando no estande da editora visando uma aproximação com o público. E eles são receptivos, assunto é o que não falta para abordar com os artistas. Apesar dos variados temas, os mais recorrentes são os contos e histórias do povo interiorano do nordeste brasileiro.

Sempre procuro trabalhar fatos reais que aconteceram, na região nordeste, especialmente no sertão, e, também, inspirações do momento. Abordo muito a seca e os problemas que assolam o nosso povo”, contou o cordelista e romancista santanense, Silvano Gabriel, que foge do tradicionalismo do tipo de literatura popular, ele é formado em teologia, filosofia e pedagogia.


Hoje o cordel já não é mais uma publicação no escuro. A academia e às escolas trabalham este tipo de literatura. é extremamente importante conhecer e estudar às nossas tradições”, disse o autor, que esteve no estande da editora na tarde deste quarto dia de Bienal.
Os valores das obras são diversos, a partir de R$ 5, com a literatura de cordel; já os livros têm valores a partir de R$ 10. A editora trouxe o catálogo e mais 36 obras, sendo que 12 estão esgotadas, disponível apenas para exposição; e 24 à venda.

Uma admirável coincidência a qual a editora tem o prazer de destacar é que, nesta oportunidade, a SWA conta com três gerações de autoras da mesma família. São às Lúcia Nobre, com o livro Sumiu; a filha, Kássia Nobre, com o título A Rede de Investigação Jornalística na Era das Fake News; e a neta, Suzana Nobre, com seu primeiro livro, intitulado de Vida de Ursinho. Às obras são duas da literatura infantil e uma com a temática de notícias falsas.

Vejo que o que plantei está frutificando. Estudei literatura a minha vida toda, elas me viram esta dedicação e acabou que isso despertou interesse nelas também. Me sinto muito orgulhosa por isto”, disse a mestre em literatura, Lúcia Nobre.



A editora
Esta é a 4ª Bienal da SWA. Ela esteve presente, também, nas edições de 2007, 2015 e 2017. No entanto, a SWA existe, enquanto editora, desde 2011.

O nome da editora surgiu da língua sânscrita, um idioma ancestral do Nepal e da Índia. Antes mesmo de tornar-se editora, a SWA surgiu com o interesse de dar aulas de ioga para o povo de Santana do Ipanema. Os ideais foram crescendo, até que realizaram demais cursos voltados à educação, e, então, agregaram a ideia de publicar livros, até tornar-se editora.

É uma proposta muito ousada para a gente. Alagoas não tem nenhum outro município do interior do Estado na Bienal. É um orgulho para a gente. O nosso estande traz a conversa com o escritor e o lançamento do livro”, disse José Malta Fontes Neto, jornalista, escritor e editor da SWA.

Que acrescentou ter adorado a idéia da mudança da Bienal para o bairro do Jaraguá. “Achei esta ideia louvável. Nunca fui à Festa Literária de Paraty, mas estou me sentindo em um evento daquele nível. estamos conhecendo melhor a história de Maceió, por meio do Jaraguá. Eu nunca estive no Misa, por exemplo, e esta oportunidade está sendo incrível, fico imaginando quantas pessoas também nunca tiveram a mesma oportunidade. Certamente, foi uma ideia muito acertada”, concluiu José Malta.

Coleção Sabiá

Na quarta-feira (dia 6 de novembro) as obras de literatura infantil fazem parte da Coleção Sabiá serão lançadas. Os títulos reúnem seis obras de autores de diversas faixas etárias, entre eles as pequenas Crislayne dos Santos, 10 anos, e Suzana Nobre, 08 anos. As obras contam com a ilustração do olhodaguense Daniel Santos.