Escola em um mundo complexo foi o tema da atividade neste penúltimo dia da feira de livros

Texto: Janaina Alves
Fotos: Thiago Prado


O maior evento literário de Alagoas é palco também para discussões sobre temas variados. Neste sábado (9) o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) promoveu uma palestra com o tema: escola em um mundo complexo, ministrada pelo especialista em Educação Carlos Henrique Trindade. Com cerca de 28 anos de experiência na área, o palestrante, que é natural do Rio Grande do Sul, tratou de questões do mundo contemporâneo que, segundo ele, interferem na forma como o estudante e a escola interagem.

A proposta da atividade foi fazer o público pensar a Educação fora dos padrões vigentes. “Nosso mundo está mudando numa velocidade mais rápida do que a escola. Por isso, há a necessidade da gente tá se atualizando, se reinventando”, explicou.

Durante sua fala, Trindade apresentou o conceito Vuca, sigla que na íngua inglesa significa volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade. O termo foi desenvolvido pelos americanos Warren Bennis e Burt Nanus, no período pós-guerra fria e remete às características do mundo atual, considerando os processos de globalização e a própria tecnologia da informação e comunicação.


De acordo com o especialista, é preciso que educadores e a sociedade em geral compreenda a importância da escola se adequar às mudanças impostas pelo cenário de conectividade e interdependência, abandonando os conceitos tradicionais de compartimentação e simplificação do processo de ensino que gera a falsa ideia de racionalidade e, por sua vez, fragmenta o conhecimento.

“Os saberes são fluidos, interdependentes e interagentes. Diversidade é a regra, é preciso entender isso. O mais importante é a escola perceber que o ensino precisa ser mais individualizado e mais envolvente. Então os alunos precisam ser agentes desse processo e não pessoas passivas. É preciso interagir, ser protagonistas desse processo”, completou.

Outros desafios enfrentados pela escola atual que foram apontados pelo especialista são: transdisciplinaridade, que é capacidade de contextualizar múltiplos saberes sem separá-los por currículos ou disciplinas; a fluidez do conteúdo, a valorização das disciplinas de humanas e artes, que são responsáveis por rebuscar o olhar humanístico das pessoas; e o fim da padronização do ensino. Tudo isso sob a tutela do Ministério da Educação (MEC).


Tecnologia e Educação andam juntas

Questionado sobre se as tecnologias digitais são vilãs ou aliadas da Educação, Carlos Henrique explicou que é necessário que educadores se dispam de preconceitos e enxerguem as tecnologias em sua plenitude para que possam ser exploradas em seu lado positivo e benéfico para o aluno. “Se a gente conseguir olhar a fundo as tecnologias e identificar aquilo em que elas vão beneficiar mais o aluno, a escola deixaria de ser um espaço anacrônico”, disse.

No Brasil, existem algumas ilhas de excelência nesse tipo de ensino. Em geral, situadas nas regiões Sul e Sudeste do país. Mas, segundo ele, iniciativas ainda muito incipientes se comparadas ao universo de possibilidades. Exemplos de modelos bem sucedidos são os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), no estado do Rio de Janeiro, além dos modelos de parceria estabelecidas pelo chamado sistema “S” (formado pelas entidades Sebrae, Senac, Sesc e Senai).